Situação estranha a qual aquela garota se encontrava. Tão pequena e repleta de antônimos. Seu nome era Clara. Tão nova, mas com um coração tão grande, sempre amando demais, gostando demais, mas sendo amada de menos. Imagino que ela deveria parar para pensar pelo que ela costuma passar quando gosta de alguém, talvez ela até já tenha o feito, não sei ao certo, porém não para, nunca desiste. Realmente me deixa surpreso ver como ela conseguiu, em tão pouco tempo, ter seu coração partido tantas vezes e ainda estar procurando um moço que a entenda e consiga cuidar dela, já que ela mesma não sabe como fazê-lo. E diante de tantos caras legais ela sempre escolhe o mais estranho: O misterioso ou o que escreve textos bonitos ou o excêntrico ou o com óculos esquisitos... Uma vez a perguntei se ela não tinha medo disso tudo, de sempre estar gostando de estar com quem não se importava muito com as sensações que ela estava a sentir e tudo o que ela me disse foi: "De que me adiantaria desistir, zé? Nada faria sentido. Eu não poderia sentir tudo o que eu sinto, eu não sorriria do nada. Você sabe como é extremamente bom sorrir só por causa de uma pessoa!"
Pequena Clara, bela de tantas as maneiras, sempre escrevendo em seu cadernos, textos e mais textos sobre seus amores platônicos, sobre o primeiro amor, sobre o carinha do colégio que a deixa feliz. Ela está sempre por aí, sorrindo feito boba, pensando em abraços, momentos e relacionamentos que provavelmente nunca chegarão a acontecer. Imagino como ela consegue sair por aí, encantando garotos sem saber disso, com aquele belo sorriso e uma felicidade que contagia tanta gente, mas mesmo assim escondendo tanta mágoa de um passado que só eu sei. Pobre garota, sempre gostando demais de quem não retribui e nunca percebendo quem a ama de verdade. Sei que isso é dela, da alma dela, que não consegue ficar presa e nem se submeter a pressão estar com alguém que queira estar vinte e quatro horas por dia com ela. Sei que ela adora algo estranho ou desconhecido, a chama atenção. Isso é dela, como eu disse. Clara não sabe viver presa, mas também não sabe viver sem amar, por mais complicado que seja para ela gostar de alguém de verdade.
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