Conheci

Aparece de repente e me cria, faz e desfaz, inventa e reinventa, encontra e reencontra. Perde-me. Onde estás se não em meu coração? Sim, meu coração. Foi lá que te guardei a partir do momento em que te conheci. Não me lembro muito bem, mas você construiu algo dentro de mim. Não, meu bem, não era concreto. Era algo macio, aveludado. Não, não era nenhum tipo de tecido ou urso de pelúcia velho. Não tinha mofo. Era algo puro, talvez até inocente da sua maneira. Talvez chegasse a ser você dentro de mim, não sei bem. Era você, sempre foi, apesar de eu se quer ter te conhecido. Poderia ser você, ou um pedaço seu. Talvez você só tivesse jogado aquilo tudo pra dentro de mim. Isso me desconcentra, me alegra, me explode. Enlouqueço, mas não de uma forma ruim. Enlouqueço porque fiquei louca por você e minha mente, meu corpo já não me obedecem mais. Sou uma louca - não no sentido realmente insano da palavra - mas de forma feliz. Feliz porque você sabe de tudo, sabe dos meus sorrisos, das maluquices e o nervosismo que me causa quando você chega perto. Você sabe que eu rio de besteira e pra mim, tudo relacionado a você, é felicidade, riso.. é com toda esse sentimentalismo que eu escrevo, porque se não faço isso, explodo. É muita coisa pra guardar dentro de mim, deixar flutuando por aqui. Preciso soltar, porque meu coração pede isso. Eu te tenho aqui comigo, entende? O que compartilho é o que tu me causas. Sentimento assim embaralha a gente e torna teu jeito torto um jeito lindo. Perfeito - não só por ser perfeito - mas perfeito pra mim. É isso que você é, perfeito pra mim. Somos perfeitos do nosso jeito, um para o outro, se embaralhando, se embriagando de felicidade e amor, pois não dá pra ter tudo isso sem ter você, sem ter nós do nosso jeito atrapalhado. Não dá pra ter isso sem resto...não dá.
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Autoanálise confusa

Amo porque vivo ou , talvez, vivo porque amo. Não sei ao certo. Não sei se devo viver para o amor ou de devo amar para viver. De certa forma, o amor acabou se tornando minha base, minha saída para problemas à parte. Amo porque o amor me consome, se infiltra em meu sangue, minhas veias e se torna parte do meu ser (eu sei, meio clichê). Ah, caramba, minha vida é um clichê. O que mais clichê do que o amor? Todo mundo ama o tempo todo, a reciprocidade é que torna tudo mais difícil. Tanta coisa, tanto amor para um coração tão pequeno como o meu. Cresci amando e o amor me inchou, me inflou... não sei o que faço se cresço sempre que amo e me confundo sempre que amo e me despedaço - sempre que amo. Amar me desgasta e me afasta de tudo. Afasta-me de minha parte sensata, da minha razão. Eu crio outra razão. Bem, eu tenho uma razão agora. Eu tenho o amor. Amor que eu posso compartilhar com quem eu quiser. Tenho o amor desestruturando o meu complexo de emoções e jogando pra fora de mim tudo o que mostra o quanto sou consumido, desestruturado, embaralhado e torto. É. Torto. Sou torto mesmo! O amor é atrapalhado e eu amo atrapalhadamente e acabo atrapalhando tudo, com ou sem repetições. Amo porque o amor passou a fazer parte do meu cotidiano, de todas as formas. Amo porque a solidão me assombra e viver sozinho me dá medo. Não tenho escolha, não tenho outro caminho ao qual eu possa ir. Sou depende de uma droga que eu mesmo produzo e vivo em um êxtase infinito. Eu era humano, humanamente errado. Agora sou amor, eternamente apaixonado... de todas as formas.
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As aparências enganam

       Seu nome era Carlos Eduardo. Ele era um rapaz, ou melhor, um homem. Tinha conseguido tudo na vida... ou quase tudo. Ele tinha emprego, casa, família morava longe e as mulheres estavam em suas mãos. Dinheiro não faltava e muito menos prazer. Haha, você pode estar pensando que ele é mais um egocêntrico da cidade grande, mas não. Você não o conhece. Pobre Carlos, ninguém o conhecia.
      Quando pequeno, adorava brincar de bola e de se sujar na lama. Seu sonho era ser jogador e não imaginava outro futuro além desse. Carlos Eduardo amava sua mãe e seu pai, até mais que sua velha bola de couro. Carlos cresceu e, na sua adolescência, era chamado de Cadú. Era Cadú pra cá, Cadú pra lá. Cadú fez vários amigos, amores e corações partidos. Decidiu deixar de amar, de se envolver. Na sua concepção, isso não valia a pena, tendo em vista que ele sempre se magoava. Mudou-se para outro estado para cursar a faculdade de direito. Agora, era chamado de Eduardo ou Edu. Sempre em festa, passou a beber e se divertir sem ter contato com garota alguma. Terminou a faculdade e virou promotor. Muito bom advogado, muito bom mesmo, por sinal. Frio, calculista, até que conheceu Juliana. Ah! Como era linda. Ele se apaixonou por ela a partir do momento em que conversaram pela primeira vez. Namoraram, noivaram, mas nunca casaram. Apesar de apaixonados, Eduardo nunca compareceu ao seu casamento e, depois disso, nunca mais teve notícias de Juliana (até ontem).
     Pobre Carlos Eduardo, ninguém o conhecia. Ninguém sabia que, ontem, ele recebeu a notícia de que Juliana iria se casar com um jogador de futebol famoso. Isso não parava de passar nos jornais. Ninguém sabia do remorso, da saudade. Tudo escondido e enterrado no peito.
     Foi depois de ter pedido demissão e ter ido pra casa que Carlos Eduardo pegou o telefone.
     - Alô? - A voz velha e cansada falou do outro lado da linha.
    - Oi, mãe...
    - Filho? - Disse surpresa - É você? Nossa, a quanto tempo!
    - Pois é, mãe. Sinto sua falta. Todo dia, toda hora.
    - Também sinto a sua, meu filho.
    Silêncio.
    - Mãe?
    - Sim?
    - A senhora ainda tem minha bola velha de couro?
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Música pra o meu dia :) aha


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Carinhar


Carinhar, carinho
Gostar, gostinho
Gostinho de amor, de amar

Apaixonei-me por um verbo
Amei, conjugando-me certo
Jogando-me no incerto
Conjugando-me errado
Amando calado

Apaixonei-me por um verbo
Ah, mas não posso, não devo
Quero, mas não devo
Pois verbo não posso ser
Mesmo morrendo de tanto querer
Verbo não posso ser

Meu bem, quero ser verbo também
Não quero outra pessoa
Nem ser amado por outro alguém
Ninguém

Ah! Apaixonei-me por um verbo
Amei entre vírgulas, reticências...
Paciência!
Deveria ter consciência
Reticências...
De que verbo não posso ser

Nem de tanto querer
Não posso ser verbo
Não posso ser palavra
Assim vai ser
Nosso ponto final

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