Desapego inatingível

Pensei tantas coisas ontem, debaixo do cobertor, fugindo do frio que estava lá fora. Ouvi sua voz durante alguns minutos, ali no meu pensamento mesmo, já que havia perdido seu número a um ano atrás. Pensei tantas coisas que no final das contas, tudo acabava sendo sobre você. Como era seu cheiro, seu jeito de olhar, as nossas brigas, os sorrisos e os abraços. Pensei em como eu havia me prendido a você todos esses anos e em como ainda procurava você em todas as garotas, quando na verdade nenhuma se igualava a garota com quem namorei. Nenhuma delas tinha aquele teu jeito frouxo de falar, a forma como você mexia no cabelo e aquela sua mania estranha de estalar os dedos quando estava nervosa. Nenhuma delas era você e eu simplesmente, de alguma forma, lá no meu subconsciente, não conseguia aceitar isso.
Talvez, la no fundo, eu ainda a amasse. Talvez não. O problema é que sem querer quase querendo eu conseguia me apegar a qualquer garota que tivesse uma semelhança com você. E toda hora as comparações   atingiam minha mente, assim, de repente, sem que eu ao menos esperasse.
Eu tentei, juro que tentei, mas às vezes acho que não tem mais jeito. Não tem mais graça, é tudo sempre a mesma coisa, sempre a mesma rotina. Tenho tentado mudar as vezes, mudando o caminho o qual vou ao trabalho, assistindo o resultado das eleições, mas nada muda. E o desapego, onde foi parar? Que droga! Cadê o desapego de uma imagem falsa que criei em minha mente ou d'uma rotina da qual não consigo me separar? Não quero que volte, não quero... iria piorar tudo, talvez nem fosse a mesma coisa. Queria só me ver livre disso tudo, queria me apegar a liberdade mental, mas aqui estou eu, pensando. Pensei em tantas coisas, muitas mesmo. No final de tudo, adormeci. Dormi, pois pensar muito me deu um sono, e amanhã era um novo dia. Ou quase novo.
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Rosa

Estava a caminhar pela rua com meu caderno
Meu pequeno caderno, posto de lado
Embaixo do braço
Quanto me deparo com algo

Era uma rosa
Rosa nua
Rosa graciosa
Rosa cor-de-rosa

Ela tinha o tom de seus lábios
E a cor dos meus sonhos mais ternos
Foi naquele instante que peguei meu caderno
E quis escrever sobre a rosa
Aquela rosa cor-de-rosa
Parecia-me tão poderosa...

De repente me lembro que não trouxera lápis
Como escreveria?
Como eu poderia
Escrever sobre a rosa
Tal flor que me lembrava minha Rosa
A garota dos lábios cor-de-rosa
A garota graciosa
Poderosa

Não pude escrevê-la
Assim como não pude escrever sobre a flor
e nem sobre o meu amor
que seria eterno, terno
assim como meu sonho cor-de-rosa
Ficaria estampado na folha do caderno
Como um poema
Meio sem rimas
Sem a rosa graciosa
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Folha de caderno

Não sou uma história sobre um coração partido, muito menos sobre um amor à distância. Não sou uma história alegre e também não sou um conto de fadas. Peço desculpas se em algum momento você chegou a acreditar que a intenção de minha existência seria encher corações de amor e felicidade, já que na verdade não possuo finalidade alguma. Existo porque talvez aquela garota ou aquele garoto precisassem depositar suas angústias, mágoas e preocupações em algum lugar. Existo porque todo esse peso que o coração não aguentava precisava criar algo, senão tudo isso não acabaria. O aperto no coração e o choro preso na garganta iriam continuar ali, causando infelicidade onde quer que estivessem. A questão é que... o que causou tudo isso? De onde vem a angústia, a tristeza e a preocupação? Ninguém sabe a não ser eles. São eles que sentem, que sofrem e que ficam assim, deprimindo as pessoas ao redor.
Você deve estar pensando: "Isso tudo é completamente diferente dos textos românticos que costumo ler por aqui".  Mais uma vez...sinto muito. Sou meio tristonho mesmo, assim com minhas palavras tortuosas e essa desanimação imunda. Sei que é meio chato ler algo menos complexo e bruto, mais um desabafo indireto. Indiretamente, é essa a palavra. É dessa forma que alguém, por de trás dessas letras, desabafa em uma folha de caderno. Tu não sabes o que ele sente e como ele não sabe o que fazer com aquele aperto  no peito e o choro preso na garganta citados antes. Escreve agora porque a voz, aquela voz sábia o disse: "Joga tudo no papel; ele é teu melhor amigo. Escrever acolhe o coração e vai acalmar sua alma." Então essa pessoa veio aqui e me escreveu. Escreveu porque isso, talvez, a acalmasse e a fizesse bem. Escreveu e você leu. Talvez porque estivesse esperando uma história sobre coração partido ou amor à distância, mas não era, não é... sinto muito.
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