Eu tinha uma sonho.

Ei, você! Sabe, eu tinha um sonho. Não, não é aquele que o Martin Luther King mencionou no seu discurso. Nem mesmo aqueles que ouvi em baladinhas amorosas. Eu tinha um sonho, sabe, comum. Na verdade, eu tinha sonhos. Vários deles. Eu tinha vários sonhos, que no final eram mais desejos e metas do que sonhos de verdade, mas prefiro me referir a todos eles como sonhos. Soa mais bonito, palavras bonitas fazem as pessoas refletirem, por mais que o assunto não esteja levando a nada. Pois é, fulano, eu tinha sonhos de todos os tipos. Aqueles de criança, que tudo o que você sonha é em querer voar. Nossa, como é bom a sensação de voar. E eu sonhava e sonhava... e de repente me via caindo naquele enorme buraco, que no final das contas era o chão do meu quarto. Mas ei, fulano, também já tive sonhos de adolescente, jovem. Sonhava em amar, me apaixonar, em não sofrer com isso. Haha, muito engraçado, eu sei. Amar sem se machucar é a mesma coisa que querer escrever um livro sem pensar. Simplesmente impossível. Mas jovem é assim mesmo, leva tudo aos extremos e acha que está sempre certo, sempre sofrendo, porque quando a gente é jovem, sofremos até com a nota baixa tirada na ultima prova do bimestre. Fulano, vou te contar. Eu tinha um sonho, quando era assim... adulta. Sonhava em sair de casa, viver minha vida, ter meu emprego. E quem diria, não era tão fácil assim. Quem diria mesmo que eu tinha tanto sonhos e não fazia nada. Nunca fiz. Vai entender, fulano... De que me adiantava tantos sonhos se eu não tinha coragem de realizá-los? Fulaninho, eu vou te contar. Eu tenho um sonho, sabe. Só um. Exatamente, dessa vez é só um. Sem ambição, sem babação ou coisas do tipo. Nada que desafie a lei da gravidade ou meu próprio coração. Eu tenho aquele sonho, aquele desejo de voltar no tempo e fazer tudo diferente. É fulano, a gente perde tempo demais sonhando. Tempo demais...
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